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Zacharias Calil recua após pressão sobre PEC da escala 6×1 e reafirma apoio à redução da jornada de trabalho

O deputado federal Zacharias Calil (MDB-GO) anunciou recuo após ter o nome associado a uma emenda que pode adiar por até dez anos as mudanças na jornada de trabalho previstas em discussão no Congresso Nacional. Em nota publicada nas redes sociais, o parlamentar afirmou que retirou sua assinatura das emendas apresentadas e declarou apoio ao fim da escala 6×1.

A reação ocorreu após a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC 8/2025, divulgar uma lista de parlamentares que haviam assinado emendas consideradas contrárias à proposta de redução da jornada de trabalho.

Na publicação, Zacharias Calil aparecia entre os deputados goianos ligados à iniciativa que, segundo críticos, criaria obstáculos para a implementação do novo modelo trabalhista.

“Ouvindo a população e buscando equilíbrio no debate da PEC do fim da escala 6×1, retirei minha assinatura das emendas apresentadas”, escreveu o deputado. “Votarei a favor do fim da escala 6×1. Seguirei defendendo mais qualidade de vida, dignidade e valorização para os trabalhadores brasileiros”, acrescentou.

O parlamentar também ressaltou que já havia se posicionado anteriormente a favor da proposta.

“Em novembro de 2024, eu já havia assinado a PEC pelo fim da escala 6×1, defendendo esse debate tão importante para os trabalhadores brasileiros. Essa é uma discussão que já acontece em diversos países e que precisa avançar também no Brasil, buscando mais qualidade de vida, mais tempo com a família e mais dignidade para os trabalhadores, sem deixar de lado a responsabilidade com a geração de empregos”, afirmou.

A emenda que gerou repercussão foi apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS) à PEC 221/2019, que trata da redução da jornada semanal de trabalho.

O texto estabelece uma regra geral de 40 horas semanais, mas condiciona a aplicação à aprovação posterior de lei complementar, mantém o limite de 44 horas para atividades consideradas essenciais e prevê prazo de transição de dez anos após a promulgação.

Outro ponto que provocou críticas foi a possibilidade de acordos individuais ou coletivos ampliarem a jornada em até 30% acima do limite constitucional. Como a proposta trabalha com teto geral de 40 horas semanais, opositores da emenda afirmam que a redação abriria margem para jornadas de até 52 horas.

O nome de Zacharias constava oficialmente entre os apoiadores da Emenda nº 1, protocolada na Câmara dos Deputados em 14 de maio. O documento também incluía outros parlamentares goianos, como Célio Silveira, José Nelto, Marussa Boldrin, Daniel Agrobom, Gustavo Gayer, Ismael Alexandrino, Magda Mofatto, Adriano do Baldy e Glaustin da Fokus.

Outro parlamentar goiano que recuou foi José Nelto (União Brasil-GO). O deputado afirmou que a assinatura ocorreu por “erro do gabinete” e informou que pediu a retirada do nome da emenda.

A PEC 8/2025 está apensada à PEC 221/2019 e é relatada pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) em comissão especial da Câmara. O texto principal prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, garantia de dois dias de descanso e manutenção salarial.

O debate no Congresso gira em torno do prazo de transição, das regras para atividades essenciais e dos impactos econômicos para empresas e trabalhadores.

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