A escolha de dois representantes ao Senado para cada estado brasileiro, em outubro, terá imbricada um tema adicional na reflexão do voto: a opinião dos candidatos sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos anos no país, a relação entre os Poderes e a possibilidade da abertura de impeachment aos ministros da Corte.
Na Região Sul do país, a aliança entre PL e Novo nos três estados demonstra o alinhamento em oposição aos excessos do Supremo, com declarações recentes dos pré-candidatos apontando para esta tendência de que o STF esteja no centro do debate eleitoral.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) deixou o Rio de Janeiro e se colocou como pré-candidato em Santa Catarina, onde a perspectiva é que o STF será uma das pautas centrais no debate, estado que tem o senador Esperidião Amin (PP-SC) e a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) como defensores da abertura de processos para afastamento de ministros.
No Rio Grande do Sul e no Paraná, o Novo lançou, respectivamente, pré-candidaturas do deputado federal Marcel van Hattem no Rio Grande do Sul e do ex-procurador da operação Lava Jato Deltan Dallagnol, aliados aos pré-candidatos do PL. Na esquerda, Lula escalou a ex-ministra Gleisi Hoffmann como pré-candidata ao Senado paranaense e o PSOL filiou a gaúcha Manuela D´Ávila.
Vejamos
- Cristina Graeml (PSD)
Pré-candidata ao Senado, a jornalista conservadora Cristina Graeml afirma que o debate sobre a necessidade de aprovação do processo de impeachment de ministros do STF será uma prioridade durante a sua campanha.
- Deltan Dallagnol (Novo)
Ex-procurador da Lava Jato e ex-deputado federal, Deltan Dallagnol confirmou que o partido Novo publicou uma resolução exigindo que todos os pré-candidatos ao Senado se comprometam com a abertura de processos de impeachment dos ministros do Supremo.
- Filipe Barros (PL)
Alvo do inquérito das fake news, instaurado pelo STF em 2019, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) também deve priorizar o debate sobre a atuação da Suprema Corte e a possibilidade de impeachment dos ministros, na dobradinha com Dallagnol na chapa PL-Novo no Paraná.
- Gleisi Hoffmann (PT)
Sem se manifestar sobre a prioridade do tema nos últimos meses, a ex-ministra de Lula e pré-candidata paranaense ao Senado pelo PT Gleisi Hoffmann declarou no ano passado que não existiam motivos para a abertura de processos contra os ministros da Corte.
- Caroline De Toni (PL)
Após ameaçar deixar o PL, a deputada federal Caroline De Toni foi confirmada como pré-candidata ao Senado ao lado de Carlos Bolsonaro. A pauta do impeachment de ministros é comum tanto pela parlamentar como pelo filho do ex-presidente e estará presente na campanha da dupla pelo estado.
- Esperidião Amin (PP)
O senador Esperidião Amin (PP-SC) buscará a reeleição nas urnas neste ano e deve manter na campanha o mesmo tom de cobranças contra o STF que tem feito no plenário do Senado. Em março, ele criticou a continuidade do inquérito das fake news, instaurado pelo STF para apurar supostos ataques à Corte, que permanece aberto desde 2019 sem chegar a nenhuma conclusão, na avaliação do senador.
- Décio Lima (PT)
Ex-presidente do Sebrae, Décio Lima disputou a última eleição ao governo de Santa Catarina e neste ano foi lançado como pré-candidato ao Senado, atendendo a pedido de Lula. Ele não se manifestou publicamente sobre o STF.
- Manuela D’Avila (PSOL)
Militante radical de esquerda, Manuela D´Ávila se manifestou sobre a responsabilidade do Senado ao confirmar a escolha dos ministros indicados pelos presidentes da República ao STF e também citou a possibilidade de afastamento com o aval da Casa.
- Marcel Van Hattem (Novo)
Pré-candidato ao Senado, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) confirmou que o impeachment de ministros e os limites para atuação do STF terão espaço central na sua agenda de campanha no Rio Grande do Sul.
- Ubiratan Sanderson (PL)
O deputado federal Ubiratan Sanderson compõe a chapa ao Senado com Marcel van Hattem na aliança PL-Novo no Rio Grande do Sul. O pré-candidato também deve dar prioridade ao debate sobre a atuação do STF, junto com o aliado da Câmara dos Deputados na corrida pelas duas cadeiras gaúchas ao Senado.








