Após quase três meses de circulação por diferentes espaços culturais de Brasília, a exposição “Alma Negra Viva 2026” entra em sua última semana de visitação consolidada como uma das maiores mostras dedicadas à arte negra realizadas no Distrito Federal nos últimos anos. Reunindo 74 obras assinadas por 30 artistas, a mostra permanece aberta ao público até o próximo dia 24 de abril, no Espaço Cultural Athos Bulcão, na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Antes de chegar ao Legislativo distrital, a exposição passou pela Galeria da LBV e pela Galeria Arte em Pauta, ampliando o seu alcance e atraindo públicos distintos. Ao longo desse percurso, “Alma Negra Viva” consolidou-se como um dos projetos mais relevantes do calendário artístico local, reunindo artistas, pesquisadores, estudantes, colecionadores e representantes de instituições culturais.
Sob curadoria de Paulo Melo, a mostra apresenta pinturas, esculturas, fotografias e obras em diferentes linguagens contemporâneas, construindo uma narrativa atravessada por ancestralidade, espiritualidade, identidade, pertencimento e resistência. Mais do que uma reunião de obras, a exposição propõe uma reflexão sobre a permanência da memória negra na formação cultural brasileira e sobre a necessidade de ampliar espaços institucionais dedicados à arte afro-brasileira.

Ao ocupar a Câmara Legislativa do Distrito Federal, “Alma Negra Viva” assume também um papel simbólico. Inserida em um dos principais espaços públicos da capital, a exposição desloca a produção afro-brasileira do campo da representatividade para o centro do debate estético e institucional, reafirmando a sua relevância dentro da arte contemporânea.
Sua essência
Entre os destaques da mostra estão Toninho de Souza, Darlan Rosa, Paulo Melo, Lourenço de Bem, Ray Di Castro, Alda Carvalho e Hemerson Joca. Toninho e Ray, nomes históricos das artes visuais do Distrito Federal, Toninho desenvolveu o Melantucanarismo, linguagem que transforma elementos do cerrado e da cultura popular em uma estética singular e imediatamente reconhecível. Já Hemerson Joca se destaca pela experimentação de suportes e materiais, unindo pintura, colagem, serigrafia, plástico derretido e linguagem digital em obras de forte densidade matéria-poética.
Na reta final, “Alma Negra Viva” reafirma a força da arte afro-brasileira no cenário contemporâneo e acompanha uma transformação cada vez mais visível em museus, galerias e coleções: o interesse crescente por obras que dialogam com memória, identidade, território e herança cultural. Mais do que encerrar um ciclo de visitação, a exposição deixa como legado a percepção de que a arte negra ocupa hoje um espaço incontornável dentro da produção brasileira contemporânea — não como categoria periférica, mas como uma das forças centrais na construção do imaginário visual do país.
A exposição permanece aberta ao público até o dia 24 de abril, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, com entrada gratuita. Uma das obras realizada por Dilson Cavalcanti foi inspirada em Elza Soares e integrou um dos convites da exposição “Alma Negra Viva 2026”, realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, com curadoria de Paulo Melo.
Fonte: Assessoria de Imprensa








