O vereador de Goiânia Tião Peixoto (PSDB) saiu em defesa do vereador em exercício e ex-secretário municipal de Cultura, Zander Fábio (Podemos), preso temporariamente durante a Operação Cultura Em(Cena), deflagrada pela Polícia Civil de Goiás.
Durante discurso na tribuna da Câmara Municipal nesta terça-feira (27), Tião afirmou acreditar na inocência de Zander e criticou a medida cautelar adotada pela Justiça. Ao comentar o caso, o parlamentar relembrou uma investigação da qual foi alvo em 2019 e afirmou que conhece os impactos de uma prisão antes do julgamento definitivo.
“O Zander é inocente. Só deveriam prendê-lo depois de julgá-lo como condenado”, declarou.
A operação é conduzida pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção e pelo Ministério Público do Estado de Goiás, que investigam um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares destinadas à Secretaria Municipal de Cultura em 2024. Segundo os órgãos de investigação, os contratos sob suspeita somam aproximadamente R$ 1,5 milhão.
Conforme a Polícia Civil, a operação cumpriu três prisões temporárias e diversos mandados de busca e apreensão. As investigações apontam que recursos públicos teriam sido destinados a eventos de carros antigos por meio de contratações por inexigibilidade, beneficiando empresas que, segundo os investigadores, não possuíam estrutura operacional compatível e mantinham vínculos com integrantes do grupo investigado.
Além de defender Zander, Tião Peixoto criticou o vereador Fabrício Rosa (PT), que utilizou a tribuna da Câmara para ironizar a prisão do colega em pronunciamento realizado no dia anterior. O tucano afirmou que, em outra ocasião, chegou a defender Fabrício quando o parlamentar petista foi detido durante uma manifestação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em Santa Helena de Goiás.
Ao justificar sua posição, Tião argumentou que Zander teria apenas autorizado a liberação de recursos oriundos de emendas parlamentares previamente destinadas à pasta, sem participação direta em eventuais irregularidades.
“O Zander apenas acelerou a autorização dos pagamentos porque estava no fim da gestão”, afirmou.
O vereador também aproveitou o discurso para questionar o modelo de distribuição de recursos por meio de emendas parlamentares. Segundo ele, as investigações deveriam avançar para identificar todos os responsáveis pelos repasses e pela execução dos recursos públicos.
“Ele fez o pagamento de emendas que todos nós também enviamos, método ao qual eu sou contra”, declarou.
A defesa de Tião Peixoto ocorre em meio ao avanço das investigações da Operação Cultura Em(Cena), que apura possíveis crimes como organização criminosa, peculato, fraude na execução de contratos e falsidade ideológica. Os investigados negam irregularidades e terão direito ao contraditório e à ampla defesa durante o andamento do processo.








