O escândalo do Banco Master atravessou o Atlântico e aterrissou nas páginas da The Economist. Em uma reportagem ácida, uma das revistas mais influentes do mundo coloca o dedo na ferida das instituições brasileiras, afirmando que os vínculos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a elite de Brasília reforçam uma percepção perigosa: a de que o Supremo Tribunal Federal (STF) carece de imparcialidade.
Para a publicação, a saga de luxo e juros estratosféricos de Vorcaro não é apenas um colapso bancário, mas um retrato da promiscuidade entre o dinheiro, a política e a toga.
Ministros sob os holofotes: Moraes e Toffoli
A revista não poupa nomes e detalha situações que classifica como “anormais”
A reportagem destaca o contrato de US$ 24 milhões (cerca de R$ 129 milhões) entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Além dos valores, a The Economist aponta a “vagueza” do contrato e as reuniões frequentes de Moraes com Gabriel Galípolo (BC) antes da liquidação do banco como pontos de extrema atenção.
A “coincidência” de Toffoli ter viajado em um jato particular com um advogado do próprio Banco Master — justamente quando foi sorteado para liderar um caso contra a instituição — é citada como um exemplo claro dos laços estreitos da elite. O investimento de US$ 1 milhão no resort dos irmãos do ministro também entrou no radar britânico.
O “Escudo” do Centrão e do Governo do DF
A teia de influência de Vorcaro, segundo a revista, estende-se ao Congresso e ao Palácio do Buriti. O líder do Centrão é acusado de tentar bloquear investigações parlamentares sobre o banco e de apoiar projetos que fragilizariam a autonomia do Banco Central.
Já o governador do DF é citado por sua defesa “vigorosa” da fusão entre o BRB e o Master, ignorando alertas técnicos sobre o rombo bilionário.
Até o financiamento de campanhas aparece: o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.
Em meio ao caos, a The Economist aponta um “claro vencedor”: Gabriel Galípolo, o chefe do Banco Central. Por ter resistido às pressões de Brasília para salvar o Master com dinheiro público, Galípolo agora usa o prestígio da crise para exigir autonomia total (administrativa e financeira) para o BC.
Para os editores britânicos, essa autonomia seria a única forma de proteger o sistema financeiro das “manobras duvidosas” que ocorrem nos bastidores da capital brasileira.









