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Tarcísio volta a articular entrada no Planalto, mas só quer bater o martelo em março

Governador se anima após desgastes de Lula e avalia que estratégia depende do ex-presidente Bolsonaro anunciar apoio apenas em meados de 2026

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a avaliar que a disputa presidencial de 2026 está aberta e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já não é mais o favorito isolado. A mudança de percepção veio após meses de recuo, quando Tarcísio se dedicou exclusivamente à gestão paulista e à melhora na avaliação do governo de Lula.

Agora, com o cenário político mais incerto, Tarcísio voltou a conversar com aliados e a observar a movimentação do Planalto — especialmente após episódios turbulentos e declarações polêmicas do próprio presidente.

Os fatores que mudaram o cálculo do governador

Segundo interlocutores próximos, três elementos reacenderam o entusiasmo de Tarcísio:

Rejeição de Lula cresceu: ainda que tenha subido nas pesquisas, a aprovação do petista estagnou.

“Gafeiras” recentes do presidente: aliados citam falas controversas e desgaste desnecessário do Planalto.

O fator “moradia”: com Jair Bolsonaro vivendo nos EUA e sofrendo desgaste com o Congresso americano, Tarcísio passou a ser visto como “a pessoa de referência” do bolsonarismo em exercício no Brasil.

Além disso, a ofensiva de Donald Trump contra tarifas ao Brasil, seguida de um telefonema conciliador com Lula, sem citar Bolsonaro, provocou um abalo sensível no núcleo bolsonarista. Isso influenciou diretamente na leitura de Tarcísio sobre o equilíbrio interno da direita.

Tarcísio admite: estratégia depende de Bolsonaro

Para entrar de vez na disputa, Tarcísio quer que Bolsonaro:

  • sinalize apoio apenas em meados de 2026, evitando queimá-lo cedo demais;
  • não pressione por um anúncio antecipado, que poderia reduzir seu tempo de exposição positiva como gestor;
  • não tente “encurralá-lo” a seguir a pauta de radicalização do bolsonarismo raiz.

Aliados próximos afirmam que Tarcísio insiste em separar sua imagem da ala considerada mais “estridente” da direita, sem, no entanto, se afastar de Bolsonaro — a quem trata com respeito e gratidão.

Mercado também pesa na equação

Banqueiros e operadores do mercado financeiro têm reforçado ao governador a importância de não antecipar decisões. O receio é que uma candidatura anunciada cedo demais reduza a previsibilidade de sua gestão em São Paulo.

A figura de Henrique Meirelles e outros quadros moderados do setor econômico voltou a aparecer nas conversas internas do governador, que admite ouvir diferentes campos antes de decidir.

Bolsonaro como âncora e como limite

Tarcísio sabe que não pode — e não pretende — se afastar de Bolsonaro. Diferente de outros nomes da direita, o governador mantém relação cordial e estratégica com o ex-presidente, mas sem embarcar em agendas de confrontação permanente.

Mesmo assim, em reuniões fechadas, o governador tem dito que “Bolsonaro tentará influenciar até o último segundo” e que isso pode jogar contra a unidade da direita.

Quando questionado publicamente, Tarcísio ameniza. Mas aliados confirmam: ele só anunciará ou rejeitará a candidatura passada a virada de março de 2026.

Sinal público: “O Brasil precisa trocar de CEO”

Em meio à dança estratégica, um post publicado no X em 18.nov.2025 reacendeu especulações. O governador, sem citar Lula, afirmou que “o Brasil precisa trocar de CEO”. O comentário foi interpretado como o gesto mais direto desde agosto de que Tarcísio não tirou a disputa presidencial do radar.

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