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Prefeitura de Goiânia articula força-tarefa contra violência doméstica e amplia pressão por rede integrada de proteção às mulheres

A Prefeitura de Goiânia reuniu nesta segunda-feira (25) representantes da segurança pública, sistema de Justiça, assistência social, saúde e entidades da sociedade civil para estruturar uma Rede de Proteção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher na capital. A iniciativa busca integrar órgãos públicos e acelerar o atendimento às vítimas de violência doméstica.

O encontro foi conduzido pela Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos e teve como foco principal a criação de fluxos integrados de atendimento, além da ampliação de políticas públicas voltadas à autonomia financeira e proteção social das vítimas.

A secretária Eerizânia de Freitas afirmou que muitas mulheres acabam retornando ao convívio com os agressores por falta de acolhimento, independência financeira e suporte institucional. Segundo ela, a articulação entre os órgãos é fundamental para romper o ciclo da violência.

Durante o encontro, a prefeitura destacou programas de qualificação profissional e encaminhamento ao mercado de trabalho para mulheres vítimas de violência, além da manutenção de abrigos sigilosos destinados à proteção de mulheres ameaçadas e de seus filhos.

O prefeito Sandro Mabel afirmou que a proposta da rede é garantir respostas mais rápidas após as denúncias e fortalecer a atuação conjunta entre Guarda Civil Metropolitana, assistência social, Ministério Público, Polícia Civil e Poder Judiciário.

Segundo Mabel, atualmente cerca de 1,7 mil mulheres com medidas protetivas são acompanhadas pela Guarda Civil Metropolitana em Goiânia. Dessas, aproximadamente 890 possuem botão do pânico monitorado pelas forças de segurança.

Durante a reunião, o prefeito também voltou a comentar os atrasos na construção da Casa da Mulher Brasileira em Goiânia. De acordo com ele, a prefeitura prepara uma nova licitação da obra, desta vez com regras mais rígidas e exigências maiores para evitar abandono por parte das empresas contratadas.

A promotora de Justiça Emeliana Rezende destacou que a rede de proteção já existe de forma fragmentada, mas que a formalização da articulação permitirá organizar protocolos e facilitar o acesso das vítimas aos serviços disponíveis.

Outro ponto debatido foi a ampliação dos chamados grupos reflexivos para homens investigados ou condenados por violência doméstica. Segundo a promotora, os encontros têm apresentado resultados positivos na redução da reincidência criminal.

A juíza Ana Lídia Cândido alertou que a violência contra a mulher atinge todas as classes sociais, embora os casos envolvendo famílias de maior renda sejam frequentemente subnotificados.

Ela também defendeu maior participação de instituições religiosas nas campanhas de conscientização e criticou discursos que, segundo ela, acabam incentivando mulheres a permanecerem em relações abusivas.

Já a delegada Ana Elisa Gomes Martins afirmou que a Delegacia Estadual da Mulher registra cerca de 30 atendimentos diários relacionados à violência doméstica. Segundo ela, medidas protetivas vêm sendo concedidas em poucas horas após as denúncias.

A delegada também chamou atenção para o crescimento dos casos de feminicídio e ressaltou que muitas vítimas assassinadas nunca haviam procurado ajuda formal antes do crime. Segundo Ana Elisa, cerca de 30 mil mulheres são atualmente acompanhadas pelas forças de segurança em Goiás por meio de medidas protetivas, tornozeleiras eletrônicas, botão do pânico e aplicativos de emergência.

A criação da rede ocorre em meio ao aumento do debate nacional sobre políticas públicas de combate à violência doméstica e à pressão por maior integração entre municípios, forças de segurança e sistema de Justiça no atendimento às vítimas.

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