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Prefeita mais rejeitada do Brasil eleva IPTU e aprofunda crise política em Campo Grande

A prefeita Adriane Lopes (PP) decidiu aplicar o reajuste do IPTU para 2026 em Campo Grande em um dos momentos mais delicados de sua gestão. A medida, anunciada por decreto, provocou forte reação popular, filas em órgãos municipais, questionamentos formais e a articulação de ações judiciais para suspender a cobrança.

O aumento do imposto ocorre em meio a um cenário de rejeição inédita. Levantamento da AtlasIntel, divulgado no fim de dezembro, apontou Adriane Lopes como a prefeita com pior avaliação entre todas as capitais brasileiras, com 79% de desaprovação. Nesse contexto, a decisão de elevar o IPTU foi interpretada por opositores e entidades civis como um gesto politicamente arriscado e administrativamente mal calibrado.

Reajuste oficial x realidade do contribuinte

De acordo com a Prefeitura, o decreto estabelece uma correção média de 5,32%, alinhada à inflação. Na prática, porém, moradores relataram aumentos muito superiores, com reajustes que variam de cerca de 20% até casos próximos de 396% em comparação com o valor cobrado em 2025. O impacto atinge aproximadamente 430 mil imóveis cadastrados no município.

A discrepância entre o índice oficial divulgado e os valores efetivamente lançados alimentou a percepção de falta de transparência e levantou suspeitas sobre a metodologia utilizada para o cálculo do imposto, especialmente em relação à atualização da planta genérica de valores.

Desgaste acumulado e reação em cadeia

O novo reajuste ocorre poucas semanas após outra decisão controversa da prefeita: a redução do desconto para pagamento à vista do IPTU. O abatimento, que era de 20%, foi limitado a 10% para 2026, o que já havia gerado críticas e sinalizado endurecimento da política tributária municipal.

Na manhã desta segunda-feira (5), a insatisfação ficou evidente na Central de Atendimento ao Cidadão, que registrou grande procura por esclarecimentos e pedidos de revisão. Contribuintes relataram surpresa, insegurança jurídica e dificuldades para compreender os critérios adotados pela administração.

A reação extrapolou o campo popular e avançou para o institucional:

  • A Câmara Municipal de Campo Grande instalou uma comissão especial para discutir o reajuste e apurar possíveis irregularidades;
  • A OAB/MS anunciou que pretende acionar o Judiciário para tentar suspender a cobrança;
  • Entidades do comércio e do setor produtivo se posicionaram publicamente contra o aumento, alertando para impactos econômicos negativos.

Análise política: imposto alto, capital político baixo

Sob a ótica política, o episódio evidencia um paradoxo da atual gestão: enquanto a prefeita enfrenta a maior rejeição do país, opta por uma medida de forte impacto direto no bolso do contribuinte, sem conseguir construir uma narrativa convincente de necessidade fiscal ou justiça tributária.

O risco para Adriane Lopes vai além da judicialização do IPTU. O episódio consolida a imagem de uma gestão fragilizada, com dificuldade de comunicação, baixa capacidade de articulação política e crescente isolamento institucional. Em ano pré-eleitoral, o aumento do imposto tende a se transformar em símbolo do desgaste administrativo e pode servir como catalisador para movimentos de oposição mais organizados.

Independentemente do desfecho jurídico, o reajuste do IPTU de 2026 já se impõe como um divisor de águas na gestão municipal: um teste de resistência política para uma prefeita que governa sob o peso da maior rejeição do Brasil.

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