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Parlamentares pedem a Lula exoneração de Paulo Gonet após revelação de mensagens envolvendo Vorcaro

Ofício assinado por Rogério Marinho, Marcel van Hattem e Cabo Gilberto Silva cita suposta proximidade entre o procurador-geral da República e o ex-controlador do Banco Master e pede que o presidente encaminhe ao Senado a exoneração do chefe da PGR
FOTO: REPRODUÇÃO

 

O documento, datado de 1º de setembro de 2026, foi elaborado após o levantamento do sigilo da PET 15.556/DF pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os autores do ofício, o material tornado público indicaria uma relação de proximidade entre Gonet e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

No texto enviado ao Palácio do Planalto, os parlamentares sustentam que a relação entre Gonet e Vorcaro teria ultrapassado o campo institucional e envolvido interlocuções feitas por meio do advogado Ciro Soares.

De acordo com o documento, mensagens citadas em relatório da Polícia Federal apontariam que o procurador-geral teria solicitado, por intermédio do advogado, apoio de Vorcaro para custear a participação de seu filho em um evento realizado em Londres, em abril de 2024.

Ofício cita viagem e evento em Londres

O documento menciona o 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, realizado no hotel The Peninsula, em Londres, e afirma que a viagem, incluindo passagem e hospedagem, teria sido custeada por Daniel Vorcaro para Ciro Soares e para Pedro, filho de Paulo Gonet.

Os parlamentares também citam reportagens sobre uma degustação de whisky Macallan durante o evento e relacionam o episódio ao que classificam como uma relação de proximidade entre integrantes de instituições públicas e o então controlador do Banco Master.

Na avaliação dos autores do pedido, a existência dessa relação deveria ter levado Gonet a se declarar impedido ou suspeito em casos envolvendo Vorcaro.

O ofício sustenta ainda que o procurador-geral teria atuado na PET 15.556/DF mesmo diante do que os parlamentares classificam como conflito de interesse.

Parlamentares falam em suspeição e crime de responsabilidade

Um dos principais argumentos apresentados no documento é que Paulo Gonet deveria ter se declarado suspeito para atuar no procedimento.

Os deputados e o senador apontam três razões para isso: a suposta amizade com Vorcaro, o alegado recebimento de benefícios ligados à viagem internacional e um possível interesse no resultado da investigação.

Segundo o ofício, Gonet teria apresentado manifestação pela nulidade da investigação conduzida pela Polícia Federal, mesmo estando citado nos elementos apurados.

A partir dessa interpretação, os parlamentares afirmam que a atuação poderia, em tese, configurar crime de responsabilidade e também prevaricação. As acusações constam do pedido político encaminhado ao presidente e não representam, por si só, condenação ou reconhecimento judicial de prática criminosa.

 Pedido é para que Lula acione o Senado

No documento, os parlamentares lembram que cabe ao presidente da República indicar o procurador-geral da República e mencionam que Lula reconduziu Paulo Gonet ao cargo em agosto de 2025.

Com base no artigo 25 da Lei Complementar nº 75, de 1993, os autores defendem que o presidente exerça a prerrogativa de propor ao Senado a exoneração do chefe da PGR.

O ofício afirma que a saída de Gonet seria necessária para preservar a independência da Procuradoria-Geral da República diante das suspeitas levantadas no caso.

Na parte final, os parlamentares pedem que Lula adote providências para promover a exoneração de Paulo Gonet e argumentam que a permanência dele no cargo seria incompatível com as circunstâncias descritas no documento.

O texto é assinado por Rogério Marinho, Marcel van Hattem e Cabo Gilberto Silva.

Até o conteúdo analisado no ofício, não há indicação de decisão judicial definitiva que reconheça as acusações apresentadas pelos parlamentares contra o procurador-geral da República.

 

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