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O dia em que as sirenes acordaram o “fenômeno” de Mossoró

A Polícia Federal abre a caixa-preta da Saúde no Rio Grande do Norte, mirando um rombo de R$ 13 milhões e atingindo em cheio o prefeito Allyson Bezerra, aposta do União Brasil para o governo estadual

O sol mal havia nascido no “País de Mossoró” nesta terça-feira (27/1) quando a Operação Mederi transformou a residência oficial do prefeito Allyson Bezerra (União) em cena de investigação. O que a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) buscam é o rastro de um esquema que, segundo os investigadores, tratava a saúde pública como um balcão de negócios ilícitos.

Com um contingente de 163 policiais federais, a ofensiva não mirou apenas o segundo maior colégio eleitoral do estado. Outras cinco prefeituras (São Miguel, Serra do Mel, José da Penha, Tibau e Paraú) estão sob a lupa por suspeitas de contratos “viciados” para o fornecimento de medicamentos e insumos médicos.

Notas Fiscais vs. Prateleiras Vazias

A investigação, que apura um prejuízo estimado em R$ 13 milhões, descreve um modus operandi audacioso. Empresas sediadas no RN supostamente operavam um rodízio de irregularidades em diversas administrações municipais:

  • Entregas Fantasmas: Pagamentos efetuados por insumos que nunca deram entrada nos estoques públicos.
  • Sobrepreço e Descarte: Materiais faturados acima do valor de mercado ou entregues fora das especificações técnicas (o famoso “comprar gato por lebre”).
  • Dinheiro Vivo: Durante as buscas, a PF apreendeu uma quantia não divulgada em espécie na casa de um dos sócios das empresas investigadas.

Allyson Bezerra: Entre a Gestão e a “Guerra Eleitoral”

O impacto político da Mederi é sísmico. Bezerra, reeleito em 2024 com impressionantes 78% dos votos, é o nome de ouro da direita potiguar para disputar o governo do estado em 2026. Ao ter seu celular, notebook e HDs apreendidos, o prefeito reagiu com o que chama de “tranquilidade investigativa”, mas não poupou críticas ao timing da operação.

“Essa investigação de 2023 reaparece agora, em 2026, ano eleitoral em que nosso nome está sendo elevado para o governo do Estado. Recebi os agentes com tranquilidade e sigo colaborando”, afirmou Allyson em vídeo nas redes sociais.

A defesa do prefeito reforça que os contratos sob suspeita envolvem múltiplos municípios e que não há qualquer fato que o vincule pessoalmente aos desvios.

 Os nomes no tabuleiro

Além de Bezerra, a lista de alvos inclui figuras-chave da administração local:

  • Jacqueline Morgana: Ex-secretária de Saúde de Mossoró.
  • Servidores de Serra do Mel: Controladores e fiscais de contrato também foram alvo de medidas cautelares.

A Operação Mederi coloca o União Brasil em uma posição defensiva delicada. Se por um lado a defesa técnica tenta isolar a figura do prefeito das falhas administrativas, por outro, a narrativa de “perseguição política” será o combustível de Allyson para manter sua base mobilizada. No entanto, com R$ 13 milhões em jogo e dinheiro apreendido em residências, a PF sinaliza que o buraco na saúde do RN é mais profundo do que uma simples disputa de narrativas.

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