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Novo Desenrola amplia renegociação de dívidas no Brasil

O governo federal lançou uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas, o Novo Desenrola Brasil, ampliando o alcance da política econômica voltada à redução do endividamento da população. A iniciativa, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem como foco principal pessoas com renda de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105.

O programa permitirá a renegociação de débitos contraídos até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos, incluindo dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Segundo o Ministério da Fazenda, sob comando de Dario Durigan, a estrutura foi organizada em quatro frentes: famílias, estudantes do Fies, empresas e produtores rurais.

A principal vertente, chamada “Desenrola Família”, promete simplificação no acesso e condições facilitadas. Os juros serão limitados a 1,99% ao mês, com descontos que podem variar de 30% a 90% sobre o valor total das dívidas, dependendo da modalidade e do prazo de pagamento.

Outro ponto central é a liberação de recursos do FGTS para quitação de débitos. Pelas regras, trabalhadores poderão utilizar até 20% do saldo disponível ou até R$ 1 mil — prevalecendo o maior valor. A expectativa do governo é injetar até R$ 8,2 bilhões na economia por meio dessa medida. Para garantir o uso correto, a Caixa Econômica Federal fará a transferência direta dos valores aos bancos credores.

O programa também prevê a criação de um fundo garantidor com recursos públicos, estimado entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões, formado parcialmente por valores esquecidos em instituições financeiras, além de um novo aporte da União de até R$ 5 bilhões. Esse fundo servirá como segurança para os bancos em caso de inadimplência.

Entre as regras adicionais, quem aderir ao programa ficará impedido de acessar plataformas de apostas online por um período de um ano — medida defendida pelo presidente como forma de evitar o agravamento do endividamento. Além disso, instituições financeiras poderão perdoar dívidas de até R$ 100.

Dados do Banco Central indicam que, ao final de 2024, cerca de 117 milhões de brasileiros possuíam algum tipo de dívida com instituições financeiras, cenário que reforça a dimensão do problema enfrentado pelo país.

Estratégia política e eleitoral

O lançamento do programa ocorre em um momento estratégico para o governo federal. Diante de dificuldades no Congresso Nacional e de uma sequência de impasses legislativos, o Palácio do Planalto tem priorizado medidas de impacto direto na vida da população, especialmente aquelas com potencial de rápida implementação.

Internamente, iniciativas como o Desenrola são vistas como instrumentos para melhorar indicadores econômicos, ampliar o acesso ao crédito e recuperar o poder de consumo das famílias. Ao mesmo tempo, a política é interpretada como parte de uma estratégia para fortalecer a narrativa de recuperação econômica e social, em meio à aproximação do ciclo eleitoral de 2026.

A combinação entre estímulo ao consumo, redução da inadimplência e liberação de crédito coloca o programa no centro do debate econômico e político nacional, com potencial de influenciar tanto o cenário financeiro quanto o ambiente eleitoral nos próximos anos.

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