Ministro da justiça vai à Câmara dos Deputados prestar esclarecimentos

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Deputados questionaram o ministro sobre desmonte dos órgãos de fiscalização no governo federal. Ministro nega relaxamento da fiscalização.

 

O ministro da Justiça, Anderson Torres, esteve na Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre a morte de Genivaldo de Jesus Santos durante abordagem da Polícia Rodoviária Federa (PRF) em Sergipe. O ministro participou de audiência pública por solicitação de deputados das comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara. O ministro afirmou que o governo está fazendo o que pode para destrinchar os ocorridos.

 

Entenda

O deputado TÚLIO GADÊLHA (Rede-PE) afirmou que o procedimento dos agentes da Polícia Rodoviária Federal na abordagem a Genivaldo de Jesus Santos é inadmissível e não pode ser considerado um acidente. “Isso não foi um incidente. Porque aquele gás foi jogado dentro da mala de uma viatura e, enquanto o homem agonizava, outros policiais seguraram aquele porta-malas. Não é acidente isso. Nós não podemos acreditar que isso foi um acidente”. Protesta o parlamentar.

Deputado Federal Túlio Gadêlha - Portal da Câmara dos Deputados

Deputado federal  TÚLIO GADÊLHA (Rede-PE)

O ministro da justiça concordou que o procedimento não é aceitável e afirmou que todas as medidas legais foram tomadas, como instauração de inquérito e afastamento dos agentes envolvidos. Além de apresentar números de operações de sucesso da PRF, Anderson Torres garantiu que o caso é uma exceção, e não o padrão da corporação. “Um caso grave e lamentável, mas que, da nossa parte, tudo que se poderia fazer, tudo o que poderia ser feito, realmente foi feito tempestivamente, desde o primeiro momento que vieram as imagens, que veio a notícia, nós fizemos o que nos cabia, e os atos estão em andamento“. Argumentou o representante do Executivo. O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, também compareceu à audiência e afirmou que a investigação policial está em fase avançada, e que a ação não representa a corporação.

 

Relembre o caso

Genivaldo morreu no dia 25 de maio após ter sido abordado pela PRF, instituição subordinada ao Ministério da Justiça, por pilotar uma moto sem capacete. Durante a ação, ele foi colocado por policiais no porta-malas duma viatura da PRF, no qual foi submetido à inalação de gás lacrimogêneo. O fato foi em Umbaúba (SE) durante abordagem da PRF. Anderson Torres, que participou de audiência pública da Casa do Povo na quarta, dia 15, disse que medidas legais foram adotadas. O laudo médico apontou morte por asfixia.

Em registro, policiais afirmam que Genivaldo estava "plenamente consciente"  após ser trancado em porta-malas com gás lacrimogêneo | GZH

Genivaldo sendo colocado no porta-malas

 

O ministro afirmou que a morte de Genivaldo dos Santos, 38, em Umbaúba (SE), após abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foi um fato grave, mas isolado e que todas as medidas possíveis foram adotadas.

 

Aproveitando o gancho

Apesar de ter sido convidado para falar do caso Genivaldo, ele não pode fugir do tema que tem sido destaque no noticiário mundial: o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do repórter e ativista inglês Dom Phillips, no Vale do Javari, uma área isolada na Amazônia. A deputada ERIKA KOKAY (PT-DF) questionou o ministro da justiça sobre o que chama de desmonte dos órgãos de fiscalização na área indígena, que teria sido uma das causas do aumento da violência na região. “Nós temos uma série de denúncias de que a tragédia que atingiu Dom e Bruno e que atingiu cada uma e cada um de nós, que atingiu a democracia, que atingiu a cidadania neste país, era uma tragédia anunciada“, lamentou a deputada petista.

Deputada Federal Erika Kokay - Portal da Câmara dos Deputados

Deputada federal ERIKA KOKAY (PT-DF)

 

Anderson Torres argumentou que a violência na região sempre existiu ao longo da história e negou que tenha havido um relaxamento nas ações de fiscalização. Torres garantiu ainda que o governo vem fazendo o que pode para descobrir o que aconteceu com Bruno Pereira e Dom Phillips. “Desde o primeiro momento, tudo que podia ser feito, nós fizemos. Nós estamos com a Marinha, com a Polícia Federal, com a Polícia Militar, com o Corpo de Bombeiros Militar, com a Funai, todos estão trabalhando na região para localizar os dois desaparecidos“, declarou. Durante a audiência, órgãos de imprensa noticiaram que dois suspeitos presos por causa do desaparecimento confessaram à polícia que haviam assassinado o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips.

 

Teve bate-boca

No meio da audiência, o deputado JOSÉ MEDEIROS (PL-RN) avançou para cima de um dos seus colegas, PAULO TEIXEIRA (PT-SP). A ocorrência aconteceu durante discussão sobre pergunta da deputada TALÍRIA PETRONE (PSOL-RJ) sobre o caso Dom e Bruno.

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O bate-boca dos parlamentares

 

MEDEIROS iniciou a troca ao questionar o presidente da sessão, ORLANDO SILVA (PCdoB-BA), sobre a pergunta de PETRONE, que abrangia o caso de Dom Phillips e Bruno Pereira. O questionamento foi feito cortando a fala da deputada fluminense e exigindo que ela “fale no tema, apenas”.

 

Harry – Portal Política

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