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“Nós temos soluções técnicas para o BRB”, pontua Celina Leão

Celina Leão se reúne com o presidente do Bacen para alinhar ações que possam recuperar o Banco de Brasília; confira

Após participar de um encontro com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, disse estar confiante sobre uma possível solução para a crise financeira do Banco Regional de Brasília (BRB). Sobre a reunião com o chefe da autoridade monetária, ela avaliou como “positiva” e que o BC poderia “contar com a garantia” de que o BRB deve resolver a sua situação.

O que nos deixou mais felizes é que nós temos soluções e nenhum correntista, ninguém que tem conta no BRB, precisa ficar preocupado. Nós temos soluções técnicas para esse momento.” Disse a governadora em entrevista à imprensa.

Além dos dois, também estiveram presentes no encontro o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira; e o presidente do BRB, Nelson de Souza. Celina, no entanto, não adiantou quais seriam essas medidas técnicas, que, segundo ela, vão além da proposta de garantia da União ao banco público.

Sobre a resposta do Tesouro Nacional, ela disse que também espera um retorno sobre os documentos que devem ser exigidos pelo governo federal para conceder a garantia. No dia anterior, o GDF enviou o pedido oficial ao Ministério da Fazenda sobre um aval do Tesouro para captação de recursos destinados ao BRB.

 

Sede do BRB, em Brasília | Imagem: Reprodução
Sede do BRB, em Brasília | Imagem: Reprodução

 

A solução encontrada pela equipe econômica da governadora é a de um pedido de empréstimo de R$ 6,6 bilhões por meio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), formado por grandes bancos. A chefe do Executivo busca obter um empréstimo no FGC com o aval da União para salvar o BRB, o que vem sendo evitado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A governadora espera também uma resposta do Palácio do Planalto sobre o pedido de audiência com o presidente. Aos jornalistas, ela disse que ainda não recebeu nenhum retorno da equipe de Lula, mas que aguarda “o quanto antes”. O que dificulta a ajuda do governo federal nesse caso é justamente a classificação de risco do DF no sistema do Tesouro Nacional.

Atualmente, a nota de Capacidade de Pagamento (Capag) do ente é C, uma das piores entre todas as unidades federativas do país.  Estados e municípios precisam passar por uma análise da capacidade de pagamento ao realizar operações com garantias do Tesouro Nacional. Entes como Rio de Janeiro e Minas Gerais possuem nota D, abaixo da nota do Distrito Federal, pois estão no Regime de Recuperação Fiscal.

No ofício enviado ao Ministério da Fazenda, o GDF afirma que a necessidade de capitalização do BRB decorre das fraudes investigadas no caso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, e que provocou mais de R$ 50 bilhões em saques do FGC para cobrir despesas com credores de instituições do conglomerado de Daniel Vorcaro. O BRB ainda não divulgou os balanços do segundo semestre de 2025 devido aos prejuízos gerados pelas operações com o Master.

Contudo, na avaliação do especialista em contas públicas Murilo Viana, mestre em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o governo Lula não tem interesse em ajudar o GDF em pleno e, mesmo se quisesse, a regulação também não permite, porque o DF não se enquadra para ter aval do Tesouro Nacional para contrair novos financiamentos. O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma corrida contra o tempo em meio a um dos momentos mais delicados da sua história.

Ao mesmo tempo em que precisa entregar o balanço atrasado, o banco conduz um processo bilionário de aumento de capital e tenta administrar os impactos diretos da deterioração da sua avaliação de risco. Esse conjunto de fatores coloca o BRB sob forte escrutínio do mercado.

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