
Os médicos credenciados à Prefeitura de Goiânia rejeitaram, em assembleia realizada na quarta-feira (28), a proposta apresentada pela gestão municipal para encerrar o impasse envolvendo contratos, carga horária e remuneração. Por ampla maioria, a categoria decidiu não aceitar o atendimento parcial das reivindicações e manter todos os pontos apresentados nas negociações.
Em nota, a Prefeitura afirmou que o novo modelo de credenciamento tem como objetivo suprir déficits históricos da rede pública de saúde, ampliando o número de médicos de 730 para mais de 1.800 profissionais. Segundo a administração, a revisão da tabela de valores busca corrigir distorções, garantir equilíbrio financeiro e segue estudos de impacto orçamentário e a realidade do mercado da Região Metropolitana.
Principais reivindicações da categoria
Entre as exigências dos médicos estão:
•garantia de condições adequadas de trabalho;
•oferta suficiente de recursos humanos e materiais nas unidades;
•previsibilidade nos pagamentos;
•manutenção do Edital de Chamamento nº 06/2024;
•revogação do Edital nº 03/2025, que prevê redução de até 35% nos honorários e possibilidade de jornadas prolongadas, sem descanso adequado.
Apesar da rejeição à proposta, os profissionais afirmam que seguem abertos ao diálogo e aguardam novos encaminhamentos nas negociações, que estão sendo mediadas pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO).
Sindicato critica novo edital
O diretor de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), Robson Azevedo, afirmou que esta já é a terceira ou quarta rodada de reuniões mediadas pelo MP sem acordo.
Segundo ele, o principal problema continua sendo o edital mais recente.
“Há redução de valores em até 35%, além de encerramento de contratos, exclusão de unidades e diminuição de plantões. É um contrato muito ruim, que transforma o médico quase em servidor, mas sem direitos, apenas obrigações”, criticou.
Azevedo disse ainda que, embora a Prefeitura tenha apresentado ajustes pontuais, a assembleia entendeu que os pontos centrais não foram atendidos.
“O básico não foi contemplado, por isso a proposta foi rejeitada”, afirmou.
Ação judicial e próximos passos
Outro fator que pesa no impasse é a ação judicial movida pelos médicos para suspender o edital. De acordo com o Simego, a Prefeitura teria pedido a retirada do processo como condição para avançar nas negociações.
“Os médicos entendem que essa é uma luta legítima. A ação continua e, nesse cenário, não houve acordo”, explicou Azevedo.
Mesmo assim, a categoria decidiu manter a paralisação suspensa, atendendo a pedido do Ministério Público.
“Seguimos abertos a novas tratativas. Se houver avanço real nas questões contratuais e salariais, podemos retomar as conversas”, disse.
Para o sindicato, a solução ideal seria a realização de concurso público.
“Esse tipo de contratação deveria ser pontual, não para quase 3 mil médicos. Do jeito que está, é uma burla ao sistema”, avaliou.
Segundo Azevedo, o modelo de contratação impacta diretamente o atendimento à população.
“Quando o médico não tem segurança e dignidade para trabalhar, quem sofre é o cidadão. Saúde é um pilar básico da sociedade e o profissional precisa ser valorizado”, concluiu.
A categoria aguarda novos posicionamentos da Prefeitura de Goiânia para decidir, em nova assembleia, os próximos rumos do movimento.







