O primeiro encontro entre os governadores Eduardo Leite e Ronaldo Caiado após a disputa interna no Partido Social Democrático (PSD) ocorreu nesta quinta-feira (9), em Porto Alegre, e foi marcado por um discurso de conciliação e tentativa de alinhamento dentro da legenda.
A reunião, realizada na sede da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, aconteceu após ajustes na agenda provocados por problemas no tráfego aéreo em São Paulo. O encontro simboliza um movimento de distensão após o processo interno que definiu Caiado como pré-candidato do partido à Presidência da República.
Durante a agenda, Eduardo Leite destacou que, apesar das divergências, há espaço para construção conjunta.
“Temos muito mais pontos de convergência do que diferenças. A política é justamente esse instrumento da democracia para construir caminhos comuns”, afirmou.
O governador gaúcho também elogiou Caiado e reconheceu sua capacidade de liderar um projeto nacional.
Por sua vez, Ronaldo Caiado reforçou o tom conciliador e afirmou que o diálogo prevaleceu.
“Conversamos bastante e posso garantir que prevaleceram os pontos de concórdia”, disse.
Divergências permanecem em temas centrais
Apesar do esforço de aproximação, diferenças políticas seguem presentes. Eduardo Leite mencionou visões distintas sobre o papel do Estado e destacou o tema da anistia como um dos principais pontos de divergência. A discussão ganhou relevância após declarações de Caiado favoráveis ao perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente no contexto dos atos de 8 de janeiro.
Na carta entregue a Caiado, Leite demonstrou preocupação com a possibilidade de uma anistia ampla. Segundo ele, uma medida desse tipo no início de um eventual governo poderia dificultar a construção de diálogo com parte da sociedade. O documento defende que eventuais excessos sejam tratados dentro dos mecanismos institucionais, como o debate no Congresso Nacional.
Alianças regionais e cenário político
Outro ponto sensível abordado foi a formação de alianças nos estados. Caiado reconheceu que o PSD poderá compor com o Partido dos Trabalhadores (PT) em algumas regiões, como na Bahia, embora tenha afirmado que, pessoalmente, deve apoiar o ex-prefeito ACM Neto no estado.
O encontro ocorre após uma disputa interna no PSD pela indicação presidencial, que também envolveu o governador do Paraná, Ratinho Júnior, que posteriormente retirou sua pré-candidatura. Na ocasião, Leite demonstrou insatisfação com o desfecho, mas agora adota uma postura mais institucional.
Antes da reunião, Caiado já havia feito elogios ao governador gaúcho, classificando-o como uma referência de gestão e defendendo sua participação em um eventual projeto nacional.
Sinalização de unidade para 2026
Mesmo com diferenças programáticas e estratégicas, o encontro indica uma tentativa de pacificação interna no PSD. A aproximação entre Leite e Caiado é vista como passo importante para a construção de uma candidatura competitiva nas eleições presidenciais de 2026, com foco na consolidação de um projeto que dialogue com diferentes correntes dentro do partido.








