O deputado federal José Nelto afirmou que a assinatura atribuída a ele em uma emenda relacionada à transição de dez anos para o fim da escala de trabalho 6×1 ocorreu por um erro interno de gabinete. A declaração foi dada ao Jornal Opção após a repercussão da lista de parlamentares que aderiram ao texto em discussão no Congresso Nacional.
Segundo José Nelto, a assinatura foi realizada equivocadamente pelo chefe de gabinete do parlamentar e já foi retirada.
“Quem assinou foi o chefe do meu gabinete e ele assinou a emenda errada. Eu já mandei retirar a assinatura”, afirmou.
Apesar de negar apoio ao texto específico, o deputado disse ser favorável ao debate sobre mudanças nas relações de trabalho e na jornada adotada atualmente no país. “Eu sou favorável”, declarou ao comentar a necessidade de discutir novas formas de organização trabalhista.
A proposta de revisão da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para um de descanso — vem ganhando força no Congresso Nacional diante de discussões sobre qualidade de vida, saúde mental, produtividade e modernização das relações de trabalho.
A emenda que propõe uma transição gradual de dez anos para mudanças no modelo atual recebeu a assinatura de 171 parlamentares. Entre os deputados federais de Goiás que aparecem na lista estão Gustavo Gayer, Magda Mofatto, Glaustin da Fokus, José Nelto, Célio Silveira, Zacharias Calil, Marussa Boldrin, Daniel Agrobom e Ismael Alexandrino.
Glaustin defende cautela e transição gradual
O deputado federal Glaustin da Fokus afirmou que o debate precisa ocorrer com responsabilidade e levando em consideração os impactos econômicos da proposta, especialmente para pequenas empresas.
Segundo ele, as relações de trabalho mudaram ao longo dos anos e exigem atualização, mas qualquer alteração deve buscar equilíbrio entre proteção ao trabalhador e manutenção dos empregos.
“Eu acredito que nós temos que achar o meio-termo disso”, afirmou.
Glaustin destacou preocupação com o aumento de custos trabalhistas e o possível impacto sobre a informalidade e o mercado de trabalho. O parlamentar afirmou que atualmente não votaria favoravelmente ao texto em discussão no formato apresentado.
“Não que eu seja contra o trabalhador. Pelo contrário. Acredito que proteger o emprego também protege quem faz esse Brasil crescer”, declarou.
O deputado também citou experiências internacionais envolvendo diferentes jornadas de trabalho, mencionando países europeus que adotam cargas horárias menores e países asiáticos com jornadas mais extensas.
Apesar das ressalvas, Glaustin afirmou defender uma eventual transição gradual, semelhante ao modelo adotado na reforma tributária brasileira. Segundo ele, o debate legislativo poderá reduzir o prazo inicialmente sugerido de dez anos.
O parlamentar destacou ainda que experiências internacionais de redução de jornada foram implantadas de forma progressiva e experimental para avaliar impactos econômicos e de produtividade.
O espaço segue aberto para manifestação dos demais deputados citados na proposta.








