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Governadores da direita disputam espaço enquanto ex-presidente perde fôlego

Foto: Reprodução

Ao contrário do que ocorreu com Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, quando a esquerda não tinha outro nome capaz de rivalizar com o prestígio do petista, Jair Bolsonaro chega à condenação judicial cercado por alternativas. Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente ainda tenta se manter como protagonista político, mas sua influência já não é a mesma — e pode diminuir ainda mais até 2026.

A diferença para 2018

Quando Lula foi preso, o PT manteve o partido inteiro atrelado à sua figura e lançou Fernando Haddad como seu substituto, em uma candidatura marcada como “poste do ex-presidente”. Bolsonaro busca caminho semelhante, insistindo em sua candidatura, mesmo juridicamente impossível, para manter o capital político vivo. Mas, ao contrário de Lula, enfrenta governadores bem avaliados à direita, que ocupam o espaço de potenciais sucessores.

Governadores no tabuleiro

  • Ronaldo Caiado (União Brasil, GO): já disse que, se eleito, concederia anistia a Bolsonaro. Apesar disso, não foi ao encontro do ex-presidente em sua prisão domiciliar.
  • Romeu Zema (Novo, MG): participou de atos em defesa da anistia, mas também evita aparecer ao lado de Bolsonaro, preservando sua imagem.
  • Ratinho Jr. (PSD, PR): busca consolidar discurso de pacificação nacional e aproveita a retração de Tarcísio de Freitas (Republicanos, SP), que perdeu espaço após recuos e críticas de bolsonaristas mais radicais.

Perda de apoio interno

Pesquisas recentes mostram a mudança no humor da base bolsonarista. De acordo com a Quaest, a proporção de apoiadores que defendem uma candidatura alternativa subiu de 31% para 46%. Entre a direita não bolsonarista, o salto foi ainda maior: de 53% para 74%, em pouco mais de um mês.

Esse movimento sinaliza que, enquanto Bolsonaro tenta monopolizar a narrativa da direita, parte expressiva do eleitorado já enxerga viabilidade em outros nomes.

Anistia em xeque

A agenda da anistia ampla defendida pelos filhos de Bolsonaro perdeu força após o fiasco da PEC da Blindagem, rejeitada no Senado. O tema deixou de ser prioridade e, sem sinal verde do Congresso, resta ao bolsonarismo esperar por algum gesto externo, como a aplicação da Lei Magnitsky ou pressões vindas dos EUA.

Mas até Donald Trump, apontado como aliado estratégico, sinalizou abertura de diálogo com Lula durante a Assembleia da ONU, gesto interpretado por muitos como um recado de que não arriscará sua própria campanha presidencial em defesa de Bolsonaro.

O enfraquecimento inevitável

Sem trunfos políticos ou diplomáticos e cada vez mais isolado, Bolsonaro pode ver sua influência eleitoral desidratar. Diferente de Lula em 2018, ele não tem condições de aprisionar a direita em torno de si. A disputa de 2026, ao que tudo indica, já será marcada pela busca de um novo líder para a direita, com Bolsonaro relegado ao papel de referência simbólica, mas sem controle real sobre os rumos da sucessão.

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