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Discussão entre Rosana Valle e Erika Hilton marca reunião da Comissão da Mulher na Câmara

Um embate entre as deputadas Rosana Valle e Erika Hilton elevou o tom da reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, realizada na quarta-feira (8). A discussão expôs divergências sobre a condução dos trabalhos e terminou com acusações de transfobia entre parlamentares.

Durante o debate, Rosana Valle criticou a atuação da presidência da comissão, ocupada por Erika Hilton, primeira mulher trans a assumir o cargo. A deputada do PL reclamou, entre outros pontos, da falta de deliberação de um requerimento de sua autoria que propunha a realização de audiência pública sobre endometriose.

“Enquanto mulher, na condição de mulher, a senhora não me representa. Estamos aqui para impedir que a comissão se torne uma comissão de militância ideológica”, afirmou Rosana Valle durante a sessão.

O momento de maior tensão ocorreu quando a parlamentar mencionou a possibilidade de acionar a Lei Maria da Penha durante a discussão. Ao justificar a fala, disse que a colega apresentava postura que poderia evoluir para confronto físico e afirmou que Erika Hilton teria “força de um homem”, o que provocou reação imediata no plenário.

A declaração foi criticada por parlamentares presentes, como a deputada Fernanda Melchionna, que classificou o comentário como transfóbico. Apesar do clima acirrado, Erika Hilton pediu que aliadas evitassem ampliar o conflito.

Em resposta, a deputada do PSOL rebateu as declarações e acusou Rosana Valle de comportamento “agressivo, odioso e desrespeitoso”.

“A senhora não pode esperar que eu ouça barbaridades em silêncio. Ninguém vai tirar o meu direito de falar enquanto deputada”, afirmou.

Erika Hilton também comentou críticas ao seu tom de voz e disse que continuará se posicionando de forma firme nas discussões da comissão.

“Se acha que eu grito, compre um protetor auricular. Fui silenciada por muito tempo e agora vou falar o que considero necessário”, declarou.

O episódio evidencia o ambiente de tensão na comissão e reacende discussões sobre respeito, diversidade e os limites do confronto político no âmbito do Parlamento.

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