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Centrão aproxima de Lula [e resiste a Flávio Bolsonaro]

Filho do ex-presidente vai bem nas pesquisas, mas não consegue atrair apoio da centro-direita; veja

Apesar da consolidação das candidaturas dos dois polos do espectro político-eleitoral, os principais partidos do Centrão ainda resistem a aderir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à esquerda, ou a Flávio Bolsonaro (PL), à direita.

MDB, PSD e a federação União Brasil-Progressistas deram sinais nesta semana de que ainda devem aguardar gestos mais concretos dos dois principais candidatos ao Planalto para decidirem qual caminho seguir neste ano eleitoral, o que pode incluir até uma candidatura própria de “terceira via”.

De uma maneira geral, esses partidos de centro-direita são refratários a uma aliança com Flávio, ao mesmo tempo em que se encontram em posição difícil para formalizar um apoio a Lula em âmbito nacional. Quatro movimentos importantes chamaram a atenção do mundo político nesta semana:

  • em entrevista ao UOL, o presidente Lula indicou que o seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), pode ser convidado a aceitar participar de um projeto eleitoral em São Paulo;
  • o MDB passou a ser cotado para ocupar a vice da chapa presidencial de Lula ou para formar uma frente de centro com o PSD;
  • c) o governo federal retomou o seu diálogo com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Rep-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente, expoentes do Centrão;
  • d) Lula está muito perto de um acerto com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para lançá-lo como o seu candidato a governador em Minas Gerais pelo União Brasil.

Tudo somado, a percepção é de que Lula entrou para valer no jogo de buscar apoio do Centrão, que ainda resiste a Flávio. Para isso, ele pode contar com um ativo poderoso: nessa movimentação toda, o entorno do vice-presidente Alckmin está em alerta com a possibilidade de ele ser deslocado da posição em que está para ser candidato em São Paulo, seja ao governo ou ao Senado.

Em sentido contrário, setores do PT passaram a conversar com líderes do MDB e acenar ao PSD no sentido de que a vaga de vice na chapa de Lula pode ser negociada na formação de uma aliança eleitoral. Fontes no Palácio do Planalto afirmam que a possibilidade de Alckmin concorrer ao governo em São Paulo depende de dois fatores combinados —e ambos tidos como improváveis.

 

O Palácio do Planalto, localizado na Praça dos Três Poderes em Brasília, é a sede oficial do Poder Executivo Federal e o local de trabalho do Presidente da República | Imagem:
O Palácio do Planalto, localizado na Praça dos Três Poderes em Brasília, é a sede oficial do Poder Executivo Federal e o local de trabalho do Presidente da República | Imagem:

 

No MDB

Ora, ainda não há conversas oficiais entre Lula e o MDB. Líderes do partido entendem ser difícil uma costura nacional porque as realidades regionais tendem a falar mais alto, como nos casos de São Paulo e Minas Gerais, onde os emedebistas estão em grupos políticos contrários ao presidente e ao PT. No entanto, se houver acordo, os nomes mais cotados do partido para serem candidatos a vice são Renan Filho, ministro dos Transportes, e Helder Barbalho.

Simone Tebet, que vem sendo cogitada para disputar o Senado em São Paulo migrando para o PSB, também aparece em conversas dentro do governo como possível vice de Lula pelo MDB, o seu atual partido. O problema é que ela é vista dentro da própria legenda como uma ministra da “cota de Lula” na Esplanada.

Outra porta que se abriu ao MDB e que também satisfaz o Planalto é a possibilidade de composição com o PSD de Gilberto Kassab, que anunciou a disposição de lançar um candidato próprio a presidente e tem, neste momento, três postulantes: os governadores Ratinho Jr. (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS). Há ainda a possibilidade de uma candidatura própria do ex-presidente Michel Temer (MDB-SP).

Fontes do Planalto afirmam, além disso, que o presidente do União Brasil, Antônio de Rueda, também vem sinalizando a intenção de se aproximar de Lula. Ele participou, inclusive, da escolha do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, filho do deputado Damião Feliciano (União-PB).

Em todos os cenários, Lula levaria uma vantagem porque no campo da política brasileira, a tendência natural desses partidos seria estar no campo da oposição nas eleições, ainda que mantenham ministros no atual governo. O sentimento em relação a Flávio Bolsonaro é de que, mesmo bem colocado nas pesquisas, ele ainda não se lançou nas costuras por alianças e tem tensionado a relação com o Centrão nos estados em busca de candidaturas próprias do PL ao governo e ao Senado.

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