
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, lançou um alerta contundente nesta terça-feira (27/1) sobre as armas invisíveis que prometem testar a resiliência das instituições brasileiras no próximo ano. Para a magistrada, a Inteligência Artificial (IA) e a desinformação em massa não são apenas ruídos, mas ameaças diretas à soberania do voto popular.
Durante a abertura de um seminário sobre segurança e comunicação, a ministra comparou o uso mal-intencionado da tecnologia a um processo de contaminação. Segundo ela, o perigo reside na capacidade da IA de criar realidades paralelas onde o fato e a falsidade se tornam indistinguíveis.
A “Captura da Vontade”
O ponto mais analítico do discurso de Cármen Lúcia focou na psicologia do eleitor. Ela argumenta que a desinformação moderna não busca apenas convencer, mas iludir o cidadão a ponto de ele escolher um representante que, em condições normais, jamais escolheria.
“Podem levar à captura da vontade livre do eleitor. Com as mentiras tecnologicamente divulgadas, alguém vota achando que está votando em quem o representa e, no final, descobre que aquilo era uma falsidade na qual ele diria: ‘eu não votaria se soubesse’.”
O Plano de Batalha do TSE
Cármen Lúcia delineou os pilares que devem sustentar a atuação da Justiça Eleitoral até outubro de 2026:
- Prevenção sobre Repressão: A ministra defende que a melhor alternativa é impedir que a desinformação ganhe crédito, agindo antes que a “verdade criada depois” se instale na mente do público.
- Transparência Algorítmica: O desafio será garantir que o eleitor saiba o que foi manipulado e como foi manipulado, sem que isso signifique censura.
- Equilíbrio Constitucional: O tribunal precisará caminhar sobre uma linha tênue: combater a mentira sem restringir a liberdade de expressão, que a ministra classificou como a “base da democracia”.
O Desafio de Nunes Marques
Embora Cármen Lúcia esteja pavimentando o caminho agora, o comando das eleições de 2026 estará nas mãos do ministro Nunes Marques. O desafio será hercúleo:
Como lembrou a ministra, o aliciamento de votos é um vício antigo da República, mas a IA dá a ele uma escala e uma velocidade sem precedentes.
“A dúvida corrói as bases democráticas”, afirmou a magistrada. Se o eleitor não confiar no que vê na tela do celular ou no que sai da urna, o processo perde sua legitimidade.







