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Câmara de Goiânia aprova criação de memorial para preservar a história do acidente com o Césio-137

A Câmara Municipal de Goiânia deu um passo importante para a preservação da memória de uma das maiores tragédias da história do Brasil ao aprovar, em primeira votação, o projeto de lei que autoriza a criação de um museu memorial dedicado às vítimas do acidente radiológico com o Césio-137. A proposta foi apreciada pelos vereadores nesta semana e agora segue para análise em comissão temática antes de retornar ao plenário para votação definitiva.

De autoria do vereador Lucas Kitão, a iniciativa busca preservar a memória histórica, cultural e científica do acidente ocorrido em setembro de 1987, considerado o maior desastre radiológico registrado em área urbana no mundo.

O projeto não estabelece um local específico para a instalação do memorial, deixando a definição a cargo da Prefeitura de Goiânia. No entanto, a proposta prevê a criação de uma exposição permanente com documentos, fotografias, registros audiovisuais e objetos relacionados ao episódio que marcou a história da capital goiana.

Além do espaço expositivo, o memorial deverá contar com uma área de homenagem às vítimas, inspirada em modelos internacionais dedicados à preservação da memória de grandes tragédias. A proposta também prevê auditório, centro de pesquisa e documentação, espaços de convivência e a realização de atividades educativas em parceria com universidades, museus e instituições científicas nacionais e internacionais.

O acidente ocorreu após a violação de um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada no centro de Goiânia. O material radioativo acabou sendo disseminado entre moradores, provocando contaminação em centenas de pessoas e mobilizando autoridades de saúde e organismos internacionais.

As consequências mais graves resultaram na morte de quatro pessoas: Leide das Neves Ferreira, de apenas seis anos de idade, Maria Gabriela Ferreira, de 37 anos, Israel Batista dos Santos, de 22 anos, e Admilson Alves de Souza, de 18 anos. O episódio também deixou marcas profundas em centenas de famílias afetadas direta ou indiretamente pela contaminação.

Em declaração anterior, Lucas Kitão afirmou que a ideia surgiu após visitar o local onde ocorreu o acidente e constatar o abandono da área. Segundo o parlamentar, a ausência de um espaço permanente de memória dificulta o trabalho de conscientização das novas gerações sobre os impactos do desastre.

“Precisamos preservar essa história para que ela nunca seja esquecida. O acidente com o Césio-137 faz parte da trajetória de Goiânia e deve servir como instrumento de educação, conscientização e reflexão para toda a sociedade”, defendeu o vereador.

Caso seja aprovado em segunda votação e sancionado pelo Executivo, o projeto permitirá que Goiânia passe a contar com um espaço permanente dedicado à memória das vítimas e ao registro histórico de um dos episódios mais marcantes da saúde pública e da história contemporânea brasileira.

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