De Brasília, Harrison S. Silva
Nas últimas semanas, o Plenário do Senado virou palco de uma mobilização crescente: senadores de diferentes partidos têm pedido ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a votação de projetos que garantem piso salarial a categorias ainda sem remuneração mínima ou defasadas, como garis, enfermeiros e profissionais de educação.
Davi prometeu convocar uma reunião de líderes para organizar as demandas e avaliar as fontes de financiamento, mas ainda não há data definida. O movimento ganhou força durante os debates em torno da Medida Provisória (MP) 1.334/2026, aprovada nesta semana, que reajusta o piso dos professores da educação básica pública para R$ 5.130,63 em 2026.
O recado do presidente tem sido o mesmo a cada novo apelo: cautela. Alcolumbre disse apoiar a valorização das categorias, mas insiste que a criação de pisos salariais precisa passar por negociação com os três níveis de governo e que ascontas precisam fechar.
O valor da saúde
Um dos projetos que mais avançou recentemente é o PL 1.365/2022, da senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB), que fixa em R$ 13.662 o piso de médicos e cirurgiões-dentistas para jornada de 20 horas semanais. Aprovado na CAS no dia 20, aguarda turno suplementar na comissão e segue para a Câmara (caso não haja recurso para votação no Plenário).

Segundo o relator da proposta, senador Fernando Dueire (PSD-PE), o projeto corrige uma distorção histórica, já que a legislação que hoje trata da remuneração desses profissionais é de 1961. O caso da enfermagem talvez seja o exemplo mais emblemático da dificuldade de transformar esses projetos em medidas viáveis dentro do orçamento público
Além das categorias citadas, outras também aguardam na fila. O Senado concentra propostas que vão de psicólogos e nutricionistas a conselheiros tutelares e policiais militares, em diferentes estágios de tramitação.
Durante a sessão do último dia 20, Davi anunciou que vai convocar uma reunião de líderes para organizar as demandas. Para o presidente, o encontro será antes de tudo uma chance de alinhar as fontes de financiamento
Fonte: Agência Senado (com adaptações)








