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ACM Neto abandona autodeclaração parda, passa a se declarar branco e admite erro cometido em 2022

Candidato ao Governo da Bahia afirma que amadureceu a reflexão sobre identidade racial após polêmica na eleição passada
FOTO: REPRODUÇÃO

O ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), alterou sua autodeclaração racial apresentada à Justiça Eleitoral. Depois de se declarar pardo nas eleições de 2022, o político passou a se identificar oficialmente como branco no registro de candidatura de 2026.

A mudança ocorre quatro anos após o episódio gerar forte repercussão durante a disputa pelo governo baiano. Agora, ACM Neto afirma que errou ao preencher a autodeclaração anterior e que decidiu rever sua posição após refletir sobre o significado político e social da classificação racial.

“Tenho humildade para reconhecer meus erros”

Durante sabatina realizada nesta segunda-feira (3), ACM Neto afirmou que a mudança foi resultado de um processo de aprendizado. Segundo ele, em 2022, tratou a autodeclaração como uma simples reprodução da informação registrada em documentos pessoais.

O candidato reconheceu que a definição racial não depende apenas da percepção individual ou de documentos, mas também da maneira como a pessoa é socialmente identificada e de sua trajetória de vida.

“O motivo foi aprendizado. Eu tenho humildade para reconhecer os meus erros”, afirmou.

A nova explicação deverá ser usada pelo candidato sempre que for questionado sobre a mudança registrada no sistema da Justiça Eleitoral.

Polêmica marcou reta final da campanha de 2022

A autodeclaração de ACM Neto como pardo ganhou destaque durante a campanha de 2022, quando ele disputava o Governo da Bahia.

Em entrevista à TV Bahia, o então candidato foi questionado sobre como se enxergava racialmente. Na ocasião, perguntou ao jornalista quem o considerava branco. Ao ouvir que essa era a percepção predominante da sociedade, insistiu que se via como pardo.

ACM Neto afirmou naquele momento que havia diferença entre sua aparência e a de uma pessoa branca, embora tenha descartado se identificar como negro.

Quando informado de que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística classifica pretos e pardos como integrantes da população negra, reagiu atribuindo o problema ao próprio IBGE.

“Então o erro é do IBGE, não é meu”, declarou à época.

Mudança encerra uma polêmica ou abre novo desgaste?

Ao admitir o erro e alterar sua autodeclaração, ACM Neto tenta encerrar uma controvérsia que marcou negativamente sua campanha anterior. A nova postura procura transmitir reconhecimento, amadurecimento e disposição para corrigir uma decisão passada.

O episódio, porém, tende a continuar sendo explorado durante a campanha de 2026. Adversários poderão questionar as motivações da declaração anterior, enquanto aliados deverão apresentar a mudança como demonstração de aprendizado político.

A discussão também recoloca no debate o papel das autodeclarações raciais nas eleições, especialmente porque esses dados são considerados na distribuição de recursos partidários e no acompanhamento da participação de candidatos negros na política.

Disputa baiana começa com tema sensível no centro do debate

ACM Neto tenta retornar à disputa pelo Governo da Bahia após a derrota de 2022. Desta vez, entra na campanha com um discurso preparado para responder à controvérsia racial que acompanhou sua candidatura anterior.

Ao reconhecer que a sociedade o identifica como branco, o candidato muda oficialmente sua posição. Resta saber se o reconhecimento será suficiente para encerrar o desgaste ou se a autodeclaração de 2022 continuará sendo utilizada como um dos principais pontos de cobrança ao longo da eleição.

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