O clima político em Goiânia esquentou de vez após a troca de acusações entre o deputado estadual Clécio Alves (PSDB), o vereador Igor Franco (MDB) e o prefeito Sandro Mabel (União Brasil), envolvendo a situação da frota da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).
A crise ganhou novos contornos após os parlamentares retornarem à antiga Estação de Transbordo, na GO-020, nesta terça-feira (14), em meio a acusações de “invasão” por parte da companhia e críticas diretas do prefeito, que classificou a ação como semelhante à de “bandidos”.
“Voltamos lá e mostramos tudo”, dizem parlamentares
Após serem acusados de mentir sobre a existência de caminhões abandonados com motores retirados, Clécio e Igor reagiram com dureza. Segundo eles, a visita teve caráter de fiscalização e foi motivada pelas declarações do prefeito.
“Acharam que iam nos intimidar? Voltamos lá, abrimos os capôs e mostramos: os motores estão todos lá. Não é sucata como disseram”, afirmaram.
Os parlamentares desafiaram publicamente a Prefeitura e a Comurg a permitir uma nova vistoria aberta.
“Me deem as chaves e as baterias que a gente leva um mecânico e liga os caminhões na frente de todo mundo. Vamos provar que funcionam”, disseram.
A dupla também acusou a gestão municipal de descaso com o patrimônio público, ao mesmo tempo em que estaria avançando com um edital de cerca de R$ 23 milhões para locação de nova frota.
Comurg fala em invasão e aciona jurídico
Em nota oficial, a Comurg classificou a entrada dos parlamentares como “invasão” e afirmou que o local está interditado desde fevereiro de 2024 por órgãos ambientais, como a Semad e a Amma.
Segundo a companhia, Clécio e Igor teriam forçado a entrada com apoio da Polícia Legislativa e equipe da TV Alego, gerando um ambiente de “hostilidade” e “constrangimento” para os servidores.
A empresa também alegou que os veículos no local são considerados inservíveis, muitos com restrições judiciais e destinados ao descarte, e anunciou que deve adotar medidas judiciais e administrativas.
Mabel contra-ataca e eleva o tom
O prefeito Sandro Mabel não poupou críticas e partiu para o ataque direto. Em coletiva, afirmou que os caminhões já estavam fora de operação antes de sua gestão e acusou Clécio Alves de ter influência histórica na companhia.
“Eles estavam lá quando os caminhões foram parados. Não fui eu. Foram eles”, disse.
Mabel também chamou os parlamentares de “mentirosos” e afirmou que a gestão atual herdou uma frota sucateada, com peças retiradas. Em tom ainda mais duro, utilizou metáforas para rebater as críticas:
“Tiramos os ratos de dentro da Comurg. Hoje eles não mandam mais, por isso estão berrando.”
O prefeito ainda citou uma frase bíblica para reforçar sua posição: “quem mente, rouba”.








